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Causas e tratamentos para o Zumbido.

Você já teve alguma sensação de ruído ou de barulho na cabeça ou nos ouvidos sem uma fonte de som externa que o tenha produzido? Se isso acontece com você ou com algum conhecido, o melhor a fazer é procurar por ajuda médica. O zumbido, considerado um sintoma – e não uma doença – pode acometer pessoas de diferentes idades e, segundo os especialistas, pode se apresentar num tom único (mais agudo ou ainda mais grave) e, em poucos pacientes, em mais de um tom (“chiado” e “cigarra”, por exemplo). Ficou curioso? O Portal Deficiência Auditiva foi conversar com um dos profissionais mais respeitados no tratamento deste sintoma, o otorrinolaringologista Ítalo Medeiros, para saber quais as causas e tratamentos para o zumbido.

Graduado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com especialização em otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo (USP), Medeiros participou do Grupo de Pesquisa em Zumbidos do Hospital das Clínicas da faculdade de Medicina da USP por 10 anos. Nesta entrevista, ele explica melhor o que é o zumbido e informa como os aparelhos auditivos ajudam a amenizar esse problema. Ele, inclusive, traz uma informação importante: segundo a Sociedade Brasileira de Anatomia, a denominação orelha serve tanto para o pavilhão auricular, como para o órgão auditivo. Leia, a seguir:
O que é zumbido?
O zumbido é aquela sensação de ruído ou de barulho que percebemos na cabeça ou nos ouvidos sem uma fonte de som externa que o tenha produzido. É um sintoma e não uma doença. Procuramos no meio ambiente a sua origem e não a encontramos. Pode se apresentar num tom único (mais agudo ou mais grave) e em poucos pacientes pode ter mais de um tom (“chiado” e “cigarra”, por exemplo).
O que pode causar zumbido?
A causa mais importante do zumbido é uma alteração da audição em quase 90% dos pacientes. A falta da capacidade de escutar também leva a modificações na área do cérebro responsável pela audição. Essa modificação decorre de um processo que denominamos “plasticidade neural”, que resulta no surgimento do zumbido. A perda de audição é, portanto, a maior parte das vezes a razão para se desenvolver o zumbido. Há pacientes com zumbido e audição normal, mas são bem raros (menos que 10%).
Se uma pessoa desconfia que sofre de zumbido, o que ela deve fazer?
A primeira coisa que deve ser feita é procurar um médico otorrinolaringologista, que é responsável por todas as doenças da orelha. Aliás, é bom informar que a denominação orelha serve tanto para o pavilhão auricular, como para o órgão auditivo. No jargão médico, nem se usa mais a palavra ouvido. O médico, então, vai examinar e solicitar os exames para definir se há perda de audição ou não. Outros exames de sangue também devem ser solicitados para avaliar o metabolismo, uma vez que essa estrutura (a orelha) não tem reservas de energia e é muito sensível às condições do sangue que a nutrem. Importante não tomar nenhuma atitude como comprar um aparelho ou tomar fórmulas consideradas milagrosas sem a avaliação prévia do médico da área.
De que modo o zumbido pode interferir no dia a dia da pessoa?
Diferentemente do que muitos acreditam, o zumbido não é alto. Está provado, através de exames de medição do volume do zumbido (que denominados de acufenometria), que a sensação de ruído não supera 10-12 dB (decibel-dB é a medida do volume de um som. A voz humana tem altura média por volta de 50-60 dB). É a maneira como cada pessoa percebe o zumbido no seu cérebro o que faz a diferença.
Se a pessoa for mais ansiosa ou estiver numa época mais atropelada de sua vida vai percebê-lo com uma sensação de som mais alto. Se dorme mal, está triste ou muito preocupada com doenças, isso também acontecerá. Se estiver numa fase boa da vida, acabando de ganhar um netinho ou recebendo uma boa notícia no trabalho, por exemplo, muitas vezes não se incomodará de forma alguma. Nem lembrará que tem zumbido. Parece estranho, mas é a pura verdade quando estamos diante de pacientes com zumbido. Cada paciente é visto pelo seu médico de uma forma singular. O quanto o zumbido incomoda depende de várias coisas, mas principalmente do grau de importância que se confere ao sintoma. Você é capaz de dormir com o barulho de uma tempestade, mas jamais com o barulho do gemido de seu filho. O ruído da tempestade é muito alto. O gemido de um bebê é muito baixo, mas incomoda muito mais.
Zumbido tem cura?
Em alguns casos, sim. Por exemplo, uma rolha de cerúmen pode gerar zumbido e isso pode melhorar completamente quando limpamos a orelha. Outras vezes, há aumento das taxas de insulina e de açúcar. Ao corrigí-las o zumbido pode desaparecer. Insisto em dizer que cada caso é único. Por isso, em caso de zumbido no ouvido procure seu médico otorrinolaringologista e discuta com ele o que gerou e o que pode interferir no seu caso.
Em que faixa etária o zumbido ocorre com mais frequência?
O zumbido pode acontecer em qualquer faixa etária. De crianças a adultos. Na criança, no entanto, o zumbido, na maior parte das vezes, pouco incomoda e a presença de perda auditiva é menor. Já o idoso percebe mais a presença do zumbido por ter mais perda auditiva e muitas questões associadas a isso (problemas cervicais, metabólicos, depressão, insônia etc). Assim, sofre mais com o problema.
O que pode agravar o zumbido?
Vários fatores do metabolismo do nosso sangue (como os açúcares e as gorduras em excesso no sangue), deficiência de vitaminas, alterações hormonais, exposição a ruídos, medicações usadas para várias doenças, problemas cervicais, articulares da mordida, problemas emocionais (depressão, ansiedade, fobias, entre outros) podem modular esse zumbido. Mas tudo isso tem limite no agravamento e essa flutuação não passa daqueles 10dB comentados antes. O zumbido não é algo que vai aumentado e é fundamental tranquilizar o paciente quanto a isso.
Zumbido pode causar perda de audição?
Nunca. O zumbido geralmente decorre de uma perda. E não o contrário: ele não tem nenhuma chance de gerar perda de audição. Quando a perda auditiva existe, o zumbido é consequência, e não causa.
O uso de aparelho auditivo ameniza e auxilia no tratamento do zumbido? Como?
A correção das perdas auditivas é uma poderosa arma no tratamento do zumbido. Com a perda de audição e o processo da plasticidade neural há a modificação no córtex auditivo (parte do cérebro responsável pela audição). De uma forma reversa, quando você repõe os sons que o individuo está precisando, um novo processo de remodelação é reiniciado. Só que isso não acontece em uma semana ou um mês. É um processo lento e de ajuste que vai se desenrolando. Ficar sem zumbido não se pode prometer nunca, mas os estudos mostram que esse reajuste pode fazer com que o paciente se incomode cada vez menos com o zumbido em muitos casos. De toda forma, num primeiro momento, a audição já melhora com uma prótese bem adaptada. O ponto mais importante desse item é que a indicação de um aparelho deve ser feito pelo médico otorrinolaringologista após ele ter avaliado a razão da perda de audição. Existem doenças da orelha que não são tratadas com aparelhos de audição (amplificação sonora).
Como se dá a adaptação do aparelho para a pessoa que tem zumbido? É diferente de quem tem perda auditiva?
Sim, é diferente. Existem peculiaridades que fazem a colocação de um aparelho de audição no paciente com zumbido seja mais especifica, como o tipo da prótese, a associação do aparelho de audição com um gerador de som no mesmo instrumento e a orientação que deve ser direcionada. Por isso recomenda-se que o paciente procure por pessoas habilitadas em fazê-las. O uso do gerador de som é uma opção interessante no tratamento do zumbido, mas quando mal colocado pode ser uma alternativa equivocada e mais atrapalhar do que ajudar.
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